
22.10.09
Porque nunca se sabe
Quando morrer quero que toquem o requiem de mozart no meu funeral. E também o "libera me" do requiem de Fauré. Isto não é de todo uma chamada de atenção, só gostava que soubessem. E para sossegar os que nutrem qualquer tipo de sentimento pela minha pessoa, à excepção do ódio, espero que o meu desejo seja concretizado só daqui a muitos anos.
20.10.09
Caim
Simpatizo com o espírito blasfemo das declarações de José Saramago na apresentação do romance Caim, mas também me parece que se trata de um truque de marketing relativamente gasto e cansado (por muito que a Igreja continue a morder o isco), e que criticar o catolicismo é uma actividade que não carece, hoje, de especial coragem. A Bíblia poderá ser, sim, um “manual de maus costumes”, uma “invenção”, um “absurdo” e um “disparate”, mas, bem vistas as coisas, os católicos e as suas fantasias já não representam uma ameaça para quase ninguém. A esmagadora maioria dos católicos não segue a Bíblia e está-se a borrifar para as encíclicas e ordens papais. Usam preservativo e pecam abundantemente. Gostava que, no fim da vida, Saramago utilizasse o prestígio que dá ser Nobel e se dedicasse a combater crenças e religiões que, igualmente assentes em “maus costumes”, “invenções” e “disparates”, ainda produzem danos efectivos, que proíbem, coarctam a liberdade individual, ameaçam e matam. Talvez o mundo, um dia, pudesse agradecer-lhe.
In teatro anatómico
Não vou comprar o livro, talvez o peça emprestado ( com a quantidade de bloggers que já anunciaram publicamente a compra, não será difícil arranjar um exemplar). Não gostei do frenezim que se gerou à volta do livro. Frenezim que atirou mais achas para a minha fogueira, uma fogueira que se chama antipatia e que foi ateada pelo intermitências da morte. Não gostei do intermitências da morte. Mas gostei bastante do ensaio sobre a cegueira. O meu problema é o facto de o "intermitências" seguir a mesma linha do ensaio sobre a cegueira: entramos no domínio do inverosímil, temos uma história, a sua moral e todas as reflexões que se podem tirar destas. Mas que o fim é engraçado, lá isso é. No entanto, não foi o suficiente para ter a minha ovação e, para ser sincera, custou-me bastante ler o livro até ao fim. Talvez seja a minha falta de cultura literária, talvez se deva ao facto de não ser inteligente o suficiente para compreender as entrelinhas e a beleza da sua escrita. A verdade é que dos três livros que li, só gostei mesmo de um. E assim como o autor do Teatro anatómico, achei isto tudo um bom truque de marketing, que a igreja assim como toda a gente continua a morder. Para finalizar deixo uma sugestão: vão ver o Man From Earth .
19.10.09
15.10.09
Meus pequenos póneis...
Que não liguem puto à treta do caminho de Santiago e não percebam porque é que certas e determinadas pessoas fazem aquilo mesmo não sendo crentes (coisa que não irei explicar, porque para além de haver a hipótese de mostrar que lá no fundo sou uma pessoa com sentimentos, vocês também não iam perceber), eu entendo. Agora dar-me ao trabalho de arranjar um cenas todo meio interactivo e só receber um (?!) comentário faz-me odiar-vos. Por momentos fiquei toda contente e a achar-me espectacular, por ter conseguido pôr um cenas assim todo coiso no meu blog. Agora sinto-me uma triste, mas uma triste com um cenas espectacular meio interactivo no blog.
"Caminante no hay camino, se hace camino al andar..."
Esperemos que o próximo ano, um ano Jacobeu, seja também o ano do meu caminho. Alinhas Sara?
14.10.09
O sentimento de posse é uma tendência suicida. Facilmente aniquila o que quer preservar. Resulta bem com objectos inanimados mas é pouco delicado a pedir a rendição absoluta a quem tem uma palavra a dizer sobre o assunto. Daí que os amantes não tenham nada a aprender com a guerra - entre paredes, a rendição não se ordena, oferece-se. E todos os tratados são condicionados. Tudo o resto é inocência de quem acredita possuir alguém. Quando o mais provável é que lhe tenham entregue um envelope vazio.
In The Heart is a lonely Hunter
13.10.09
Help Me...
Então é assim:
Rapariga tem cabelo comprido e sem corte. Rapariga decide cortar o cabelo. Cabeleireira corta demasiado o cabelo. O cabelo fica demasiado escadeado e com corte em bico. Rapariga está triste. Rapariga escreve no blog a pedir sugestões para novos cortes que minimizem a feiura do anterior. Rapariga espera que os comentários vão além de um: "espera que ele cresça".
9.10.09
Tenho a dizer que achei o filme bem engraçado. Estava à espera de algo mesmo mau. E gostei particularmente disto:
Girls are taught a lot of stuff growing up: if a boy punches you he likes you, never try to trim your own bangs, and someday you will meet a wonderful guy and get your very own happy ending. every movie we see, every story we're told implores us to wait for it: the third act twist, the unexpected declaration of love, the exception to the rule. but sometimes we're so focused on finding our happy ending we don't learn how to read the signs. how to tell the ones who want us from the ones who don't, the ones who will stay and the ones who will leave. and maybe a happy ending doesn't include a guy, maybe it's you, on your own, picking up the pieces and starting over, freeing yourself up for something better in the future. maybe the happy ending is just moving on. or maybe the happy ending is this: knowing after all the unreturned phone calls and broken-hearts, through the blunders and misread signals, through all the pain and embarrassment... you never gave up hope.
Querem saber o quão miserável sou?
Chorei que nem uma Maria Madalena a ver o He's just not into you. Se mesmo assim não acham muito grave, tenho a dizer que antes deste vi o painted veil e não verti uma única lágrima. Não que o painted veil seja um filme triste, mas entre um e outro sempre era mais digno chorar no painted veil ( atenção spoiler) é que no painted veil para além morrer uma data de gentinha, morre também o protagonista ( logo na altura em que a mulher grávida descobre o amor por ele). Em jeito de conclusão, quero ainda dizer que não faria este tipo de post numa situação normal, mas como sou uma pessoa altruísta decidi partilhar os meus dramas. É que não há nada que nos faça sentir melhor que uma pequena dose de loucura vindo de uma desconhecida. Aposto que o vosso pequeno eu está aí todo contente a pensar "yay sou normal, não choro em filmes de treta! posso roubar o correio do vizinho, mas não choro em filmes de treta!".
8.10.09
They just don't get it
Após 2 milhões e tal de evolução humana é impressionante como o sexo oposto ainda não conseguiu descortinar os meandros da mente feminina. Não acreditem quando elas dizem que é demasiado complicada. O segredo é tão simples... mas tão simples que chega a ser ridículo.
Maça com Bicho ( acho eu da praxe)
e lembras com saudade
o saudoso tempo da universidade
foste caloiro
e quintanista
já comes caviar
esquece o alpista
P'ra entrar na universidade
é preciso
prender o humor
na gaiola do riso
ter médias altas
hi-hon, ão-ão
zurrar ladrar
lamber de quatro o chão
Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
Chamar-se a si mesmo
besta anormal
dá sempre atenuante ao tribunal
é formativo
p'ró estudante
que não quer ser propriamente
um ignorante
Empurrar fósforos com o nariz
tirar à estupidez a bissectriz
eis causas nobres
estruturantes
eis tradição
sem ser o que era dantes
Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
Não vou usar
mais exemplos concretos
é rastejando
que se ascende aos tectos?
Então vejamos
preto no branco
as cores da razão
porque a praxe eu desanco
Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho.
Fui praxada e aquilo até foi engraçado, passei bons momentos. Mas apesar de o ter dito, não gostaria de passar por aquilo tudo outra vez. É estúpido e a história da integração é a maior treta de sempre. Há sempre algo melhor para fazer da vida, do que magoar os meus queridos joelhos na calçada portuguesa. E hoje ao passar na universidade, senti-me bem por não ter praxado.
7.10.09
Que bonita imagem mental
A minha queda de cabelo está a chegar a um ponto preocupante. Para além do risco de ficar careca, dou por mim a ficar com cabelos na boca ( não me perguntem como). Tenho a sensação que muito em breve vou começar a "vumitar munelhos de cavelo". O que não é de todo a coisa mais sexy do mundo. Se quiserem ter uma imagem da rainha mais pormenorizada, juntem um corte de cabelo horrível e uma enorme falta de sentido de estilo.
6.10.09
Manifesto contra a Racionalidade
Parem de ler o meu blog estúpido e vejam algo que realmente vale a pena.
A minha playlist é melhor que a tua, II
Porque a 5ª sinfonia é muito mais que o "tum tum tum tuuuummmm, tum tum tum tuuuummmm".
5.10.09
Ok, sou a única tótó a jogar aquilo.
Este blog só existe porque arranjar um nome decente com um header à altura, é mais difícil que encontrar uma alminha que não responda a este tipo de posts com um " ai, eu não faço isso...".
Juro que não é uma chamada de atenção
Este blog só existe porque arranjar um nome decente com um header à altura, é mais difícil que encontrar uma alminha que não jogue farmville.
2.10.09
1.10.09
Dia Mundial da Música
Se não fosse a música, era a paciente número 1 da ala psiquiátrica do S.Marcos.
30.9.09
Fashion Victim - Literalmente!
Um rapaz veste uma t-shirt, jeans e umas all star e tá pronto para sair à rua.
Nós vestimos uns jeans, uma t-shirt e umas all star e parecemos miúdas do básico.
(Claro que podíamos acrescentar uns acessórios, uma bolsa gira e talvez uma maquilhagem levezita. Em vez das all star umas sabrinas e uns óculos de sol da moda iriam certamente ser um bom complemento ao nosso look.)
Sabem o que tenho a dizer sobre isto? Morram todos. Tenho um ódio visceral (vá, é quase só inveja) a quem percebe de moda, sabe conjugar cores, tecidos e padrões. Aquelas raparigas que entram num shopping, fazem compras inteligentes e não caem na tentação de jogar pelo seguro. As mesmas que calçam saltos altos e andam na rua, como se a calçada portuguesa fosse nuvens fofas de algodão. No meu caso, o ódio aplica-se também a quem consegue usar saltos a noite toda e não soltar um "ai" de desconforto. E no fim... não só sabem os produtos a usar no seu tipo de pele, cabelo e afins, como aplicam a base ao ponto de parecem capas de revista. Odeio-vos.
29.9.09
A 3 passos da pobreza
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Tudo muito giro, tudo muito apropriado ao meu tipo de pele... mas tudo muito caro. Acho que vou continuar com o meu cremezinho de 6€, o esfoliante que me ofereceram e as máscaras de argila ( que raramente uso).
Agora vem a parte em que vocês dão conselhos e alternativas tão boas ou melhores, mas a um preço convidativo. E se forem mesmo mestres nestas coisas de beleza e cuidados ( do qual não percebo nada) digam-me por favor um bom shampoo para cabelos oleosos e qualquer coisa para a queda de cabelo ( neste dois últimos não liguem ao preço, preciso de algo mesmo bom e eficaz).
25.9.09
24.9.09
Awww*
- Tecnically "the girl of my dreams" probably have a really bodacious rack, a bit different hair and she probably be a little more into sports, but Robin's better than the girl of my dreams. She's real.
* Claro que este "aww" durou 2 segundos, depois apoderou-se do meu espirito um sentimento de náusea profundo. ( O post continuava, mas vocês não querem ouvir as minhas divagações acerca da temática : Amor. Mas usem e abusem da caixa de comentários, aposto que há uma alminha que concorda comigo e acha que isto do amor é tudo uma conspiração da industria cinematográfica, literária, musical, etc). - Now she's just loosing it
Sou mesmo Patética
Estava a ouvir música e decidi pesquisar a palavra "love" no itunes. Perante uma lista enorme, decidi escolher a "love me tender" numa versão do Caetano Veloso. Não sou grande fã deste tipo de canção, mas esta sempre teve um encanto especial. Lembro-me de casar as minhas barbies ao som desta música ( sim porque eu tive uma infância normal, com bonecas e coisas dessas) e quando comecei a aprender inglês foi das primeiras músicas que traduzi. Gosto do sentimento que passa, acho reconfortante. Existem 3 coisas que vão mantendo a minha crença no amor: esta música, o meu poema preferido e acho melhor não dizer a terceira.
22.9.09
Eu sei o que escreveste no blog passado
A última pessoa que queria a ler o meu primeiro blog, aproveitou um deslize meu, fez uma pesquisa no google e mesmo sabendo que eu não ia gostar, leu aquela pequena pérola da blogosfera.
Fiquei chateada e continuo chateada, mas dei conta que estou a fazer demasiado alarido por causa de um simples blog. Gostando ou não, tenho de aceitar o meu passado tenebroso de posts repletos de senso comum e cheios de amor para dar. Pelo menos não escrevia pitez.
Off topic: Desculpa C., mas devido a problemas técnicos decidi apagar a conversa. Acabei com os teus 5 minutos de fama.
19.9.09
18.9.09
i don't know why i even try
Ninguém vai comentar o post anterior, pois não? Com excepção à Rita que não vai deixar escapar a oportunidade para dizer que só faço aquele tipo de post para exibir-me. Por acaso não foi essa a intenção, preciso urgentemente de alguém, de preferência geek, com quem falar sobre música clássica. Preciso de novos compositores e não me apetece nada ser autodidacta.
Off topic
Sou a única ter uma relação de amor/ódio com Glenn Gould? Com Bach ele é qualquer coisa de transcendental, mas com Beethoven não consegue convencer-me. Acabei de cometer um sacrilégio ao pseudo-difamar o senhor?
16.9.09
Estado Civil
Lacan tem aquela frase extraordinária que cito muitas vezes: «O amor é darmos uma coisa que não temos a alguém que não precisa dela». O mesmo Lacan também explicitou que amamos no outro precisamente aquilo que ele não tem. E o outro fica fascinado com esse objecto de fascínio que é aquilo que imaginamos nele. O que o outro deseja não é aquilo que lhe podemos dar, mas aquilo que imaginamos nele. E que de facto não existe.
Pedro Mexia in Estado civil
11.9.09
10.9.09
Video kill the Blogger Star
Tento sempre ver os vídeos que os bloggers postam, normalmente tenho boas surpresas e já conheci grandes bandas graças a este tipo de post.
Que não leiam os meus textos, que na sua maior parte são estúpidos, insípidos e com má pontuação, até compreendo. Agora não percebo é a relutância em ver vídeos ou ouvir músicas que outros postam. Pelo que vejo por aí... não vos fazia nada mal.
9.9.09
8.9.09
Agosto
Em Agosto, que é esta merda de mês que acabou agora mesmo, descobrimos que a minha mulher em um cancro na mama. Nós “descobrimos”: mas ela é que tem. Nem é tão simples: às vezes não foi ela que descobriu e sou só eu é que tenho. Tenho tentado escrever sobre tudo menos isso. Mas é sempre sobre o cancro dela que eu escrevo. Parece que é sobre uma praia mas a praia, em Novembro, já não é a mesma que em Agosto. Parece que é sobre uma uva mas a uva muda e o vinho é o que fi ca dessa mudança.Tenho medo. O medo não é nada amigo de quem escreve. Então quando faz medo de escrever certas coisas que fazem medo. Ou podem dar azar. Mas depois pensei assim: qual é a coisa que eu faço? Qual é a coisa para a qual tenho mais jeito? A falar, sou uma miséria. Atropelo-me de tantas ideias contrárias; cada uma a ver se pega; a esganar-se a ver se fi sga o ângulo por onde hei-de entrar.Eu sei que a minha tristeza se nota. Que o amor pela minha mulher se nota mais ainda. E que isto são coisas chatas para quem passa o dia a trabalhar em coisas chatas e abre um jornal para se distrair.Peço desculpa. Mas hoje tinha de ser. A Maria João deu-me licença. E eu abusei logo. Todos nós temos um problema que nos foge e vai matar. Todos nós fingimos que não é bem assim.Mas é bem assim. E eu hoje tive de desabafar, por ter sido, nos últimos tempos, tão mentiroso e tão cobarde.A verdade é sempre o melhor remédio. Dizem. Daqui para a frente vai ser pior.
Miguel Esteves Cardoso, in Público
7.9.09
3.9.09
2.9.09
30.8.09
Faicibuke
Descobri hoje que o meu percurso no facebook está praticamente completo. Criei a conta, com direito a fotos/informação pessoal ao desbarato e descobri que até o periquito da minha tia tem perfil no estaminé. Respondi a meia dúzia de quizzes, joguei ao cenas da quinta, da máfia e fiz um questionário sobre a minha pessoa (que nem os meus pais conseguiriam acertar). Consegui por o mr.-i-hate-social-networks a comentar não só o mural, mas também uma foto. Agora só falta o álbum das férias (com a típica foto de costas onde se mostra o rabiosque) e já posso considerar-me uma pessoa in.
"I don't subscribe any label"
Gosto de discussões musicais, embora a minha personalidade musical ainda sofra de uma certa indefinição. Normalmente estas são saudáveis e trazem-me sempre algo de bom: novos artistas, géneros, etc. Agora o que não suporto são julgamentos, principalmente sem conhecimento de causa e fundamento.
ps. Anny, este post deve-se em parte a ti (não na parte dos julgamentos ;P).
29.8.09
Porque sim

(...)
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio, in Poemas de Deus e do Diabo
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